ACM Neto chega ao sétimo ano de governo requentando promessa de colocar ônibus com ar-condicionado em Salvador Destaque

03 Abr 2019
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Eu vou estabelecer e nenhum novo ônibus será incorporado à frota se não tiver ar-condicionado após a licitação”. Era março de 2013 quando então secretário de Urbanismo e Transporte, José Carlos Aleluia, deu a declaração acima. Seis anos depois, a promessa foi requentada pelo prefeito ACM Neto (DEM) para justificar o aumento da tarifa para R$ 4,00 – que passou a valer nesta terça-feira (2).

Dessa vez, o anúncio do demista foi amarrado a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado com os empresários do setor de transporte sob o olhar do Ministério Público da Bahia (MP-BA), que obriga a chegada de 1 mil novos ônibus com ar-condicionado em quatro anos. Estão previstos 125 veículos até 20 de julho e 125 até 20 de setembro. Até 2022 serão 250 veículos por ano.

Depois de ter dado declarações empolgadas à imprensa, José Carlos Aleluia deixou a pasta, mas a promessa foi sustentada pelo secretário Fábio Mota. Mas a licitação feita pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) com as novas concessionárias do transporte coletivo não previa, porém, a obrigatoriedade da aquisição dos veículos com ar-condicionado. 

Sendo assim, as promessas públicas de agentes da prefeitura não tinham amparo legal. Na última semana, a promotora do MP-BA, Rita Tourinho, declarou que o sistema de ônibus de Salvador estava caminhando para o “colapso”.

No último sábado, Fábio Mota admitiu que, apesar das promessas, o contrato de concessão feito pela prefeitura não inseriu tal exigência aos empresários. “Era uma demanda antiga que não tinha no contrato e por isso levamos a discussão para o MP, assinamos o termo de ajuste de contrato que permite isso: ou tem ônibus com ar, ou a tarifa volta para preço anterior. Se não chegar até setembro, a tarifa volta para R$3,70”, confirmou o secretário.

Em 2016, 14 ônibus executivos, os Connect Bus, passaram a circular com ar-condicionado e poltrona reclinável com tarifa de R$ 5 - superior aos R$ 3,30 cobrados à época pelo ônibus convencional. Em 2017, soteropolitanos voltaram a sonhar com a possibilidade de ter viagens refrigeradas, quando o secretário da Casa Civil da Bahia, Bruno Dauster, anunciou que o estado faria redução no ICMS cobrado dos empresários– o que permitiria renovação da frota com ar-condicionado e suporte Wi-Fi. 

O termo foi discutido com mediação do MP-BA na ocasião em que governo e prefeitura acertavam o formato de integração entre ônibus metropolitanos, metrô e os ônibus urbanos de Salvador.

No final de 2018, pressionado pelo setor patronal para novo reajuste tarifário previsto contratualmente para 2 de janeiro, o prefeito ACM Neto cedeu ao aumento numa negociação baseada em argumentos já desgastados. Neto entra no sétimo ano de governo sem ter conseguido tirar do papel promessa história do início de sua gestão, que pode, oportunamente, virar mote de campanha do seu escolhido para a disputa municipal em 2020.

Nesta terça-feira (2), a Semob anunciou mudanças a conta gotas para arrefecer as críticas de usuários do sistema. Sete linhas que partem das estações Pirajá e Mussurunga serão as primeiras a receber ônibus com ar-condicionado. A medida faz lembrar de críticas do governo do estado sobre a circulação de coletivos cujos itinerários já são atendidos pelo metrô. 

As sete linhas serão: 

1051 Estação Mussurunga / Barra 1
1052 Estação Mussurunga / Barra 2
1060 Estação Mussurunga / São Joaquim
1340 Estação Pirajá / Barra 1
1341 Estação Pirajá / Barra 2
1347 Estação Pirajá / Pituba
1388 Estação Pirajá / Barra 3

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