Moro é perseguido até quando faz doação à caridade: ‘Folha não pode simplesmente reconhecer que errou’, diz ministro Destaque

05 Ago 2019
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A Folha de S. Paulo acusou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, de ter omitido uma palestra que ministrou em 21 de setembro de 2016.

Na época, a palestra foi amplamente noticiada na mídia.  Em resposta à Folha, Moro disse que “em 2016 não fui totalmente sincero. Escondi a doação à caridade decorrente da palestra, pois achei que poderia soar como inadequada autopromoção. Escusas agora pela revelação, mas preciso dela contra falsos escândalos. Há outras doações, mas os fatos importam mais do que a publicidade”.

O ministro ainda frisou que o jornal não podem ao menos reconhecer que errou. “Palestra à luz do dia, doação dos valores à caridade, pessoas com deficiência, valores declarados, cadastro de palestras do Trf4 criado só no ano seguinte, nota de resposta não publicada, nada a esconder”.

A assessoria de Sergio Moro enviou à Folha de S. Paulo o comprovante de um depósito de 10 mil reais feito no dia 16 de setembro de 2016 pelo grupo Sinos, na conta da instituição Pequeno Cotolengo do Paraná. A entidade atende pessoas com deficiência. “Se não houve registro, foi por puro lapso”, disse a assessoria.

Confira nota de esclarecimento na íntegra, que sequer foi publicada pela Folha:

O Ministro da Justiça e Segurança Pública não reconhece o teor de mensagens obtidas por meios criminosos, que podem ter sido editadas ou adulteradas.

A palestra citada pela reportagem foi ministrada em 21 de setembro de 2016, enquanto o sistema de cadastramento eletrônico de atividade de docência eventual no âmbito do TRF4 foi criado posteriormente, pela Resolução 10, de 9 de fevereiro de 2017, do TRF4.

Para o período anterior, se não houve registro, foi por puro lapso. Apesar disso, não havia qualquer conflito de interesse e a palestra sobre enfrentamento da corrupção e a responsabilidade do setor privado foi na época bastante divulgada na imprensa, como pode ser verificado neste link: http://coletiva.net/comunicacao/a-convite-do-grupo-sinos-sergio-moro-palestra-sobre-corrupcao,126408.jhtml. Nada havendo a esconder.

Como condição para a realização da palestra, o Grupo Sinos realizou, em 16 de junho de 2016, e a pedido do então juiz, uma doação de R$ 10 mil para o Pequeno Cotolengo do Paraná (segue documento anexo), entidade beneficente dedicada ao acolhimento de pessoas com múltiplas deficiências.

Não foi divulgado à época que o então juiz era o responsável pela doação, pois buscava-se evitar autopromoção com caridade. A família do então juiz tem um histórico de dedicação à causa das pessoas com deficiência. O valor recebido diretamente pelo então juiz é questão privada e foi inferior ao montante doado.

As palestras ministradas pelo então juiz eram via de regra gratuitas. Quando cobradas, os valores não eram elevados e envolviam necessariamente doações a entidades beneficentes efetuadas pela empresa contratante. A concessão de palestras ou aulas, mesmo remuneradas, é atividade considerada legítima para magistrados.

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