Comuns no São João, bombas e 'paredões' podem causar surdez, alerta otorrino Destaque

09 Jun 2019
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As tradicionais bombas típicas do período junino, que ocupam as ruas com barracas, fumaça e consequentemente estouros, demandam atenção e cuidados pelo perigo que oferecem. O médico otorrinolaringologista do Hospital Santa Izabel, Nilvano Andrade, alertou para as lesões nos ouvidos devido às explosões das bombas juninas, principalmente para os mais jovens e crianças.

“A explosão é um deslocamento agudo de ar, e com um deslocamento próximo ao tímpano você vai estar deslocando ar e perfurando o tímpano, a condição é essa”, disse o especialista. Segundo o médico, a gravidade das lesões em relação a idade é maior ou menor pelo tempo que as pessoas afetadas terão que conviver com a surdez.

No entendimento do médico “quanto mais jovem pior”. “Se você tem uma criança, que vai ter um curso de uma vida em relação a perda auditiva, isso é complexo. Porque vai alterar a linguagem, os elementos do mundo, você precisa da audição”, analisou Nilvano Andrade. “O idoso já tem uma perda de auditiva natural, ele vai perdendo a audição gradualmente ao longo da vida”, completou o médico.

O otorrinolaringologista afirmou que as lesões em relação ao ruído são irreversíveis. Há casos de perda auditiva em que a cirurgia pra consertar o tímpano não traz melhora à qualidade da audição.

A respeito dos cuidados necessários para manter a tradição das bombas de São João sem se colocar em risco, o médico citou a proximidade. “Se nós temos cuidado de não ficar próximo quando formos utilizar os fogos e sabemos como utilizar – hoje tem mecanismos pra você poder distanciar da mão –, a tradição pode ser mantida”.

O alerta do médico também envolve o ruído das festas. Apesar de avaliar o São João como uma das festividades “em que mais se respeita o som” pelo tipo de música que é tocada e pela maioria dos eventos acontecer em ambientes abertos, Nilvano Andrade chamou a atenção para um elemento cuja presença tem sido cada vez maior nas ruas: o paredão. “O que existe hoje, e eu tenho vários pacientes nessa situação, é o que se chama de paredão. O cara pega uma parede de som, abre uma caminhonete na rua, pra ver qual é o som mais potente. Eu tenho pacientes que ficaram surdos por causa do paredão”, exemplificou ele.

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