Números de tartarugas mortas chegam a 68 na Bahia Destaque

23 Mai 2019
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A falta de conscientização da população brasileira continua causando danos a animais marinhos e ao meio ambiente. A poluição do mar e a pesca irregular são, inclusive, alguns dos principais motivos apontados por especialistas para justificar o aumento no número de tartarugas encontradas mortas na Bahia. Nos primeiros cinco meses deste ano foi registrado um crescimento em torno de 40% na quantidade de óbitos, na comparação com o mesmo período em 2018.

Segundo o médico veterinário e o subcoordenador do Projeto (a)mar, Wellington Laudano, no domingo (19) foi identificada a 68ª tartaruga marinha encontrada morta no litoral sul da Bahia. O número já corresponde a metade do anotado ao longo de todo o ano passado, quando 136 tartarugas morreram. Estima-se que 80% dos óbitos ocorreram por emalhe em rede de pesca – seja de arrasto, espera ou de espinhel.

“Os óbitos foram registrados entre Marau e Canavieiras, com concentração maior no município de Ilhéus. A maior incidência de mortes são de tartarugas verdes, porque elas utilizam nosso litoral para alimentação, normalmente ficando conosco entre 5 a 20 anos, para depois começar a se reproduzir. Ficam mais próximas à costa para se alimentar e acabam se deparando com plásticos, lixos. São muita as vítimas de emalhes incidentais em redes de pesca”, afirmou à Tribuna da Bahia.

Baseado em pesquisas científicas, Laudano afirmou à reportagem que o número de tartarugas mortas é bem maior quando não se leva em consideração apenas os animais encontrados encalhados nas praias.

“Somente 10% das mortes de animais marinhos que ocorrem no mar são chegam à praia. A tartaruga encontrada morta no domingo, na Prainha, em Itacaré, por exemplo, estava em estado avançado de decomposição e não se pode identificar a causa da morte. Provavelmente estava à deriva há muito tempo. Levando em consideração essas pesquisas, o número de tartarugas mortas é ainda maior pela ação do homem é ainda maior”, explicou.

A bióloga Stella Tomás, que também trabalha junto ao Projeto (a)mar, reforça que a maioria das mortes se dá por conta da interação antrópica, que é quando as ações realizadas pelo homem provocam alterações na natureza. “O homem tem que ter a consciência e o respeito pelo meio ambiente. Tratar ele de forma mais comum e menos negligente”, disse.

Os integrantes do programa alertam ainda sobre as primeiras medidas a serem tomadas em caso de localização de animal marinho encalhado na praia. “Em nenhum momento tente colocar de volta ao mar, mesmo o animal ainda estando com vida. Pegue um paninho úmido para que ele não fique desidratado e chame os órgãos competentes. Acione a gente ou mesmo o projeto Tamar, Ibama ou polícia ambiental, que eles acionam a gente”, aconselhou o subcoordenador do projeto, Wellington Laudano.

Morte de espécies raras

O projeto faz um alerta para a preservação do meio ambiente, sobretudo preocupado com o encalhe raros de animais na Bahia, como ocorreu no dia 22 de abril deste ano, quando uma Kogia sima, espécie marinha prima distante dos golfinhos, foi encontrada morta na Praia do Me Ache, em Ilhéus.

Há mais de cinco anos não havia sido anotado o aparecimento do animal, também conhecido como cachalote-anão. Segundo Laudano, Kogia sima é uma das três espécies de cachalotes existentes no mundo, e ficou popularmente conhecida como baleia por causa do romance “Moby Dick”. Contudo, ele reforça que o mamífero pertence à família dos golfinhos.

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